Nascimento da Fernanda

 

Por Camila Holmos | fotos Lela Beltrão
26 de dezembro de 2016

Neste mesmo dia e horário em 2016, eu entrava em trabalho de parto!
É uma lembrança tão linda e tão profunda que não consigo deixar passar sem escrever algumas palavras sobre ela!

Quem nos conhece sabe como desejamos a Fernanda, como a gravidez foi uma benção em nossas vidas!

O parto não foi diferente! Foi lindo, foi intenso e transformador!!

O almoço de natal aconteceu em um domingo e, eu já cansada com aquele “barrigón” pedi pra ir pra casa! Já estava sentindo algumas fisgadas e achei melhor descansar!

Estava com 39 semanas e 4 dias de gestação, então tudo poderia acontecer!

Quando chegamos em casa, por volta de 18horas, sentei no sofá e senti uma dor forte! Daquelas de perder o fôlego!
Deve ter durado uns 20 segundos, mas eu disse: Amor, senti algo diferente! Será que está na hora?

Passaram-se 15 minutos e veio outra, agora durou mais, cerca de 40 segundos! E eu fiquei bem assustada!

“Liga pra Doula” disse ele! E eu, já assustada: Mas será? Hoje? Não pode ser! E dei uma gargalhada ( de nervoso).

Passaram mais 10 minutos e eu veio outra!! Eu disse: “Melhor a gente começar a controlar essas contrações” e assim fizemos!

Quando eram 21h, minhas contrações já estavam intensas, de 5 em 5 minutos! Lembro-me da Betina (médica) entrando em casa e dizendo: “Tá preparada? Chegou a hora! “
Só lembro de pensar: “Ninguém nunca estará preparado pra isso”, mas só sorri pra ela (de nervoso) kkkk..

A essa altura, o Se e a Mari (Doula) já tinham enchido a piscina na sala, feito uma super mutreta pra ligar a água quente do chuveiro e encher a piscina e a Lela (fotógrafa) acabava de entrar!

Eu não raciocinava mais, só entre uma contração e outra conseguia dizer algo sem sentido… estava entrando na partolândia!

Lembro de alguém insistindo pra eu entrar na piscina e eu dizendo NÃO, já brava, pois estava com medo de escorregar! Hahaha, o Se quis me matar por isso (risos).

Então eu segui para o chuveiro e comecei a sentir muita dor, uma dor diferente, forte demais, pedi pra sair pq estava insuportável! Eu já tive cólica renal e acho que durante a descida da Fernanda, alguns órgãos foram pressionados e nessa hora doeu demais!

Pedi umas gotas de buscopam e depois de 15 min a dor amenizou! Ufa, pensei! Será que está acabando? Lembro de perguntar para o Se sobre as horas, e já eram 4h da minha!
Pensei: Meu Deus! Tudo isso? Onde eu estava esse tempo todo? Hahaha …

As dores vinham de 1 em 1 minuto e eu estava tão cansada que dormia no intervalo… e quando a dor chegava eu me agarrava no Se com as unhas e puxava pra baixo com muita força… as costas dele ficaram uma graça! E meus braços ficaram roxos…

Isso deve ter durado umas 3 horas, até que a médica avaliou a dilatação e disse: “ Você precisa de energia, o que você quer comer? Pensa numa coisa bem gostosa”

Naquela hora, só queria uma coisa doce e gelada! Então falei: “Eu quero um Chicabon” (risos pela sala)

Lembro do Se pegando a chave do carro e indo correndo na padaria da esquina pegar o sorvete! Ele comprou todos os “Chicabons” da padaria (hahahahah)…

Quando ele chegou, já devia ser umas 8h da manhã, e eu finalmente mordi o sorvete, senti que recuperei minhas forças! Realmente deu uma “animada”! Foi então que a Betina sugeriu que fizéssemos a posição de cócoras, com o Se me segurando pelos braços, sentado no sofá!

Quando eu me coloquei ali, olhei em volta, vi minha casa, minhas fotos, minha cozinha, vi a Mel, fiel “cãopanheira” que ficou ao meu lado e estava me olhando fixamente como se dissesse: “você consegue” e então, voltei meu olhar pra Betina e ela me falou: “Concentre-se, você precisa se concentrar na dor! Peça para o seu corpo te ajudar, quando a dor vier você vai ajudar a descida com a sua força”

Então eu tomei coragem, uma coragem que eu não sabia que eu tinha! Segurei firme nas mãos do Sé, pedi proteção à Deus, e quando a dor chegou, eu empurrei, uma vez, e ouvi a Mari dizer: “olha o cabelinho”!!

Eu tremia, era um misto de medo, ansiedade, amor, loucura, dor, tudo junto!!!

Veio uma segunda contração forte, e eu senti a cabeça da Fe, e eu pensei: “Meu Deus, não pode ser, isso está acontecendo mesmo!?!”
E eu gritei: “Socorro, está queimando” (risos).

O Sé chorava muito, pois ele assistiu tudo pelo espelhinho ( eu não quis olhar, kkkk)

A terceira contração veio às 8:41h e a Fernanda nasceu! Eu soltei um grito de dor, amor, alívio, ternura e aquele bebê rosado e quentinho veio para os meu braços!

Choramos, todas as lágrimas que precisávamos para agradecer por essa benção divina!

E então eu pude cheira-la, olhar profundamente nos seus olhos, acariciá-la, beijá-la longamente e ela pôde me reconhecer, pôde encontrar sozinha o seio e mamar tranquilamente!

Não sei dizer quanto tempo isso durou porque na minha memória foram horas, as horas mais lindas que já vivi!!

Ao final, quando o cordão havia parado de pulsar, a Betina perguntou ao Sé se ele gostaria de cortar e lá foi ele, cortou o cordão e pegou a filha nos braços!

Lembro-me de ouvir o som da música do Nando tocando ao fundo e de sentir uma profunda Gratidão por todos os momentos vividos até ali!

“Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela, então eu me vi
Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar
E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas são mais lindas
Por que você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas”

Agradeço sempre, por tudo, por todas as dificuldades que fortaleceram e nos amadureceram como casal e quero deixar um beijo de agradecimento especial a todas as pessoas que me fortaleceram nessa caminhada!

Meu marido, maravilhoso, companheiro, pai incrível e “parteiro” (hahaha)
Meus pais, que sempre estiveram ao meu lado e me ajudam em todos os aspectos da vida!
Neste dia, em especial à Betina, pessoa incrível, generosa, atenciosa e extremamente competente! Vc foi essencial!
À Mariana de Mesquita Mari, mesmo recém operada, estava lá por nós, no Natal, com sua energia, força, presença e amor! Muito obrigada! Eterna gratidão!
À Lela Beltrao fotógrafa e Doula! Ajudou a segurar a “fúria” das contrações e sempre tinha um afago e tirou fotos de tirar o fôlego!
Também agradeço especialmente minha amiga Damiana Angrimani Bonavigo, fonte de inspiração, incentivadora, e mais do que tudo isso, uma irmã que ganhei da vida!

Gratidão!

Muitos pensamentos, muitas lembranças do ano intenso que vivi! A sensação é como se 2017 fosse um trator que passou por cima de tudo que eu entendia como realidade, revirou, sacudiu e agora deixou tudo diferente pra eu aprender a lidar!!

Há um ano eu estava com aquele barrigão, na expectativa, não imaginava que a Fernanda chegaria dentro de algumas horas!

Eu estava tranquila, serena, eu realmente não fazia ideia! Chega a ser engraçado lembrar disso!
Lembro dos conselhos das pessoas: “Aproveita pra dormir agora” e eu pensava: poxa, será que é tão difícil assim?

Sim, é! É muito! E sabe porque?
Porque é real! É de verdade!! Dali a algumas horas, eu estava com ela nos meus braços e ninguém poderia me dizer o que fazer! Somente eu poderia ajudá-la, somente meu peito poderia sacia-la, meu colo seria o mundo pra ela, meu calor seria essencial pra ela! Minha presença física, mental e espiritual eram fundamentais pra que ela compreendesse a vida fora do útero.

Os primeiros dias parecem verdadeiros caos, me sentia feliz como se algo de muito precioso me enchesse o coração e me sentia sozinha como se ninguém pudesse me ajudar verdadeiramente!
Ninguém podia mesmo, hoje eu entendo que somente eu poderia “virar a chave”…

Ser mãe é uma construção! É o aprendizado mais árduo e prazeroso que já experimentei! Nada te prepara pra isso!
aquele bebê pequeno e indefeso aprendendo a mamar, a enxergar pelos olhos dos pais, sensações, alegrias, medos!

Ah, os medos! Pois é! Acho que deveria existir um livro só pra tratar dos medos dos pais!! (Risos)
A gente tem medo de tudo!
Se o bebê respira, da medo, e a gente fica olhando ele dormir pq “vai que pára de respirar” hahah, parece brincadeira, mas é sério!

Tão sério que a tensão vivida pelos pais nesse período é comparada a um período de guerra… a exaustão física é bem semelhante!

Mas tem algum momento no meio de tudo isso, que a gente começa a ganhar confiança! Como se nossa cabeça e coração entrasse em compasso e finalmente entendesse que o bebê vai ficar bem!

Ela cresceu! E como cresceu!

1 ano se passou! E eu aprendi “algumas” coisas com a maternidade!
A Fernanda me transforma a cada dia! Por ela, eu tento ser alguém melhor, sempre!

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