Nascimento do Gael

Por Clara Prado | fotos Lela Beltrão
O tempo para. Um imenso vazio se preenche do aqui e do agora.

PARIR – a experiência mais absurda, louca e intensa que já vivi. Ondas vêm e vão. Trazendo com elas a certeza de que o novo se aproxima. Junto à certeza, o medo. Que novo? Que eu? Que vida? Que ele? Que nós?…

Pensamentos? Não, não se pensa nessa hora. Apenas se sente. E se sente intensamente. É o incontrolável. É o descontrole absoluto, do corpo, da vida, da mente. É a transição, a virada. É uma surpresa.

Nada do que eu imaginava chegou perto do que realmente foi. É visceral, é divino, é caótico. É a natureza exercendo seu papel, e eu como meio de passagem – na verdade não fui tão importante assim, a força é maior. Maior que eu, maior que ele. Não foi ele, nem eu. Foi a natureza seguindo seu curso. E nós cedemos, nós não tínhamos escolha. É cruel, é doloroso, dá medo, dá vontade de pedir para parar tudo. Mas ao mesmo tempo é sereno, é transcendental.

É a passagem – da menina para a mulher, a mãe. Eu mudei. As coisas mudaram.

Agora tudo está mais claro, embora pareça obscuro. Uma confiança na vida cresceu. Aquela força incontrolável que nos fez nascer, eu e ele, essa força me guia – e eu não tenho mais controle. Na verdade nunca tive…

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